Todos os detalhes sobre a madeira carbonizada e o que ela pode oferecer ao seu projeto

Sem qualquer dúvida, um dos países com mais beleza na arquitetura é o Japão: mesmo que o estilo da maioria das suas construções seja discreto, bem como a decoração interna de suas casas, isso não quer dizer que não haja um estilo muito bem considerado pelos designs.

Há séculos, os arquitetos japoneses têm uma ferramenta especial para deixar todas as construções cada vez mais belas, modernas e, principalmente, mais resistentes: é a técnica Shou Sugi Ban.

Se você não sabe do que se trata essa técnica, saiba que ela é uma das mais importantes no Japão e, claro, passou a ser muito concorrida em vários outros países. Com a Shou Sugi Ban, consegue-se nada menos que uma madeira carbonizada e que adquire um lindo tom de preto, muito sofisticada e resistente.

Quando se fala de “madeira carbonizada”, logo se pensa nas madeiras queimadas em incêndio, que adquirem uma cor irregular e que, com certeza, não têm uma bela aparência. Neste caso, é claro que parece bastante improvável que esse material se torne tão requisitado para fazer projetos arquitetônicos.

Contudo, a queima da madeira se dá de maneira calculada, por profissionais e tudo de forma a proporcionar o melhor acabamento. Com isso, fica explicado porque a madeira carbonizada se torna um dos principais hits de decoração no Japão, país que preza pela qualidade e tecnologia em tudo o que usa e faz.

Se você não sabe como é uma madeira carbonizada pela técnica Shou Sugi Ban, é só pensar em uma madeira fosca, preta e altamente resistente. Uma boa ilustração é o estilo das cabanas de pescadores japoneses e, aliás, essas moradias têm tudo a ver com o surgimento dessa técnica, como será explicado agora.

De onde surgiu a madeira carbonizada?

Todos sabem que uma casa feita de madeira precisa de muito mais cuidado para ser confiável: afinal, a madeira é naturalmente mais frágil que a alvenaria e é necessário mais trabalho para assegurar que ela não seja danificada.

Os pescadores que vivam em Naoshima há trezentos anos sabiam muito bem disso e não queriam que as suas cabanas fossem derrubadas. Além disso, é claro que eles desejavam proteger suas moradias da ação da natureza: em uma ilha, é comum que haja mais vento, mais chuva e, ainda por cima, as investidas da maré.

Para não perder as suas casas, esses pescadores começaram a pensar em meios de fortalecê-las ainda mais, mas continuando com o uso da madeira. Depois de muitas experiências, eles chegaram à madeira carbonizada pela técnica Shou Sugi Ban.

Logo no começo dos experimentos, os pescadores japoneses perceberam que, quando a madeira era queimada antes da construção da cabana, ela ganhava mais resistência a praticamente todos os ataques naturais que a ilha podia oferecer, em especial, aos ataques da umidade.

É claro que, depois dessa descoberta, os pescadores de Naoshima passaram a usar a madeira carbonizada de forma obrigatória, passando essa estratégia arquitetônica de geração em geração.

Depois de séculos, começou-se a valorizar não apenas a resistência que o processo de carbonização concedia à madeira, mas também a beleza do resultado final.

Quando o arquiteto Terunobu Fujimori começou a usar mais ostensivamente essa técnica nos seus projetos, o revestimento externo com a madeira carbonizada se tornou muito mais usual. Tempos pois, esse mesmo arquiteto colaborou para que a técnica Shou Sugi Ban começasse a ser mais usada por profissionais de outros países.

Considerando que a cultura japonesa tem, muito apreço pelo minimalismo, o que poderia ser mais bonito do que construções feitas com madeira fosca preta? Sem dúvida, ela proporcionaria um efeito muito mais impressionante do que as madeiras de cor comum.

A partir de então, a madeira carbonizada se tornou mais famosa no Japão e, na sequência, passou a ser uma das preferidas dos grandes arquitetos, que desejam projetos discretos, mas com uma alta dose de sofisticação e luxo.

Os arquitetos mais luxuosos não dispensam a madeira carbonizada

As vantagens de utilizar a madeira carbonizada pela técnica Shou Sugi Ban fizeram com que arquitetos de diversos países, responsáveis por projetos muito sofisticados e luxuosos, rendessem-se a essa nova técnica.

Um dos exemplos é a Jacobsen Arquitetura, que fica em São Paulo e que está acostumada a utilizar a madeira carbonizada como uma forma de valorizar os seus projetos comerciais, residenciais e de espaços culturais também.

No entanto, essa empresa não é a única gigante da arquitetura que usa a madeira Shou Sugi Ban: encontram-se projetos com essa mesma técnica em na Europa, nos Estados Unidos e no Oriente Médio.

Alguns outros projetos que usam madeira carbonizada e que são encantadores, além de sofisticados, são de arquitetos como:

  • STEINMETZDEMEYER;
  • Uhlik Architekti;
  • Johnsen Schmaling Architects;
  • VVKH Architecten;
  • Studio MM Architect;
  • A1 Architects

Uma parte grande dos projetos feitos por esses arquitetos é de casas modernas que ficam em lugares amplamente arborizados. De fato, o estilo moderno e sofisticado da madeira carbonizada contrasta de maneira muito agradável com o ambiente natural de uma floresta, por exemplo.

O projeto de Johnsen Schmaling Architects, por exemplo, chama-se Casa Plissada e é um imóvel térreo, com apenas um cômodo na sua parte superior. A casa é feita completamente com madeira carbonizada, o que faz com que o seu exterior seja minimalista e bonito.

Para completar o estilo da Casa Plissada, o arquiteto optou por luzes de tonalidade amarela e existem espreguiçadeiras na parte de fora que também são feitas com a madeira carbonizada.

Um projeto mais ousado é de Uhlik Architekti e se chama Refúgio na Floresta; é uma estrutura retangular, bem semelhante a um trailer, mas com tamanho menor. Revestida externamente com madeira carbonizada em toda a sua extensão, ela tem luz alaranjada que se destaca de forma impressionante quando se considera a cor preta da madeira.

Os imóveis que ficam na cidade em vez da floresta também já foram alvo dos projetos arquitetônicos usando madeira carbonizada. Um deles é do arquiteto STEINMETZDEMEYER e trata-se de um escritório; ele funciona em um prédio cuja parte exterior também é revestido por madeira preta.

Todos esses exemplos servem para demonstrar como a técnica Shou Sugi Ban pode glamourizar todo tipo de construção e de ambiente e tudo com muita durabilidade e resistência contra as intempéries.  

Essas empresas costumam atender a clientes que procuram por um imóvel com características vanguardistas, minimalistas e exclusivas, tudo com um grande toque de luxo.

Porém, há ainda outras motivações para que os arquitetos de diversas partes do mundo incorporem a madeira carbonizada dentre seus principais materiais:

  • Ela é versátil

Pode-se usar a madeira carbonizada em todos os cômodos da casa e no seu exterior, não importando o lugar em que o imóvel fique. Isso porque ele resiste ao calor, ao frio e às intempéries como tempestades.

Além disso, ela é capaz de dar um toque especial a absolutamente todos os lugares: no quarto, para que a madeira preta não deixe o ambiente escuro demais, pode-se optar por usar a versão carbonizada em apenas uma das paredes, criando um detalhe minimalista maravilhoso.

A madeira feita com a técnica Shou Sugi Ban também cai muito bem em locais externos: afinal, deve-se lembre lembrar da sua origem, lá nas ilhas de pescadores.

Quem quiser revestir toda a sua casa com essa madeira, certamente, vai se diferenciar de qualquer casa vizinha e sem o risco de precisar substituir esse material em pouco tempo.

  • Ela está sempre na moda

Uma parede colorida poderia sair de moda nos próximos anos, fazendo com que as pessoas quisessem substitui-la. No entanto, não existe esse perigo com a cor preto: ela sempre continuará sendo um hit.

Não se tem o menor risco de, um dia, o preto ser considerado ultrapassado ou uma casa ser vista como “brega” porque suas paredes ou seu deck é preto, por exemplo.

Pelo contrário, a ideia de sofisticação continuará por todo o tempo em que a pessoa quiser manter esse projeto arquitetônico. Além disso, como ainda é uma parcela muito exclusiva usa a madeira carbonizada, é claro que o imóvel se torna um destaque em qualquer lugar.

  • Resistência

A madeira carbonizada é super resistente, tornando-se ideal para decks de piscina e revestimentos externos. No caso dos revestimentos internos, ela é cai muito bem em banheiros porque não será afetada negativamente pela umidade e pelo vapor.

Com tudo isso, dá para ver que a madeira preparada pela técnica Shou Sugi Ban atende a qualquer demanda de projeto arquitetônico: para quem tem a durabilidade e resistência como prioridade ou para quem está colocando em primeiro lugar um projeto mais luxuoso.

Destaca-se que, além das intempéries da natureza, a madeira carbonizada também resiste muito bem a outro tipo de ameaça, que são os fungos. Isso porque, toda madeira corre o risco de ser atacada por cupins e por outros microorganismo e o resultado é a morte dessa madeira.

Por exemplo: uma casa cujo revestimento seja acometido por fungos deixa de estar segura porque, com o tempo, ela pode até desabar. Além disso, os seus moradores também têm a sua saúde ameaçada, considerando que esses microorganismos fazem muito mal para o sistema respiratório e podem causar problemas dermatológicos.

Com tudo isso, pode-se dizer que a madeira carbonizada até mesmo favorece a saúde de quem mora ou frequenta o imóvel. Inclusive, muitos a utilizam até mesmo em estruturas que não ficam tão visíveis, como os forros e também o sótão.

Madeira Cumaru e Ipê são as melhores para carbonização

É claro que a madeira carbonizada não existe na natureza: as empresas de arquitetura precisam comprá-la ou mesmo prepará-la para conseguir a usar em seus projetos. Apesar der haver muitas madeiras disponíveis no Brasil, nem todas elas têm potencial para passar pela técnica Shou Sugi Ban.

Quando as madeiras escolhidas não são as adequadas, o resultado final não trará nenhuma das características já citadas. Assim, o preto não terá o belo tom fosco esperado, não será resistente e, claro, não poderá fornecer aos projetos o aspecto luxuoso que tantos procuram.

No Brasil, os grandes arquitetos usam as madeiras Cumaru ou Ipê para o processo de carbonização. Com as suas características especiais, o resultado da técnica Shou Sugi Ban é perfeito, dando origem a uma belíssima madeira carbonizada e que não fica devendo nada para aquela usada nos projetos japoneses.

Madeira Cumaru – conheça mais sobre ela

A madeira Cumaru é uma das melhores para fazer a carbonização e, com a sua cor naturalmente mais escura, ela logo adquire o aspecto preto fosco esperado. Além disso, em sua condição natural, ela já é muito resistente e isso faz com que, depois de passar pelo processo de carbonização, ela fique ainda mais, exatamente da forma que os arquitetos e clientes esperam.

Mundialmente, ela é chamada de Dipteryx Odorata, ou seja, é possível que projetos feitos no exterior também usem essa madeira para carbonização, mas sob esse nome.

Mesmo que antes de passar pela técnica japonesa, a Cumaru já resiste muito bem à chuva, ao mar, aos ventos e também aos fungos. No entanto, ela não é usada só em revestimentos e nos decks de piscina: muitas pessoas escolhem essa madeira para fazer as suas janelas e as suas portas de forma especial.

Em diversas construções, a madeira Cumaru também é vista no chão e o seu efeito (quando está na cor natural) proporciona muita luminosidade, principalmente se é um cômodo no qual bate muita luz solar.

Uma vez submetida à carbonização, ela também pode ser usada como assoalho, desde que as paredes fiquem em uma cor mais clara, para que o ambiente não fique demasiadamente escuro.

Vale dizer que, assim coimo a madeira carbonizada fornece muito mais sofisticação às paredes, ela causa o mesmo efeito quando é aplicada no assoalho. Dessa forma, não se deve ter medo de usar a madeira carbonizada de qualquer uma dessas formas, pois o resultado será de pura sofisticação.

Madeira Ipê – Tudo sobre ela e porque ela é excelente para a carbonização

A madeira Ipê é mais uma das recomendadas para o processo de carbonização e isso acontece porque ela é muito sólida e resistente. Não é para menos que a tradução do seu nome, no Tupi Guarani, é exatamente “duro”.

Revestimentos, assoalhos e decks construídos com essa madeira duram muito tempo, dizendo-se o mesmo de portas e janelas. Se o processo de carbonização aumenta a durabilidade, é claro que a Ipê está dentre as melhores sugestões: afinal, a sua força natural é potencializada com a técnica japonesa.

Na sua versão natural, a madeira Ipê é um pouco mais escura que a Cumaru; além disso, ela resiste bem às intempéries e muitos arquitetos a utilizam em construções de varandas, de decks de piscinas, de escadas e outras estruturas que fiquem expostas a qualquer tipo de clima.

Mais uma vez, a carbonização fará com que a madeira Ipê fique ainda mais resistente aos fenômenos naturais.

Os pavimentos são outras excelentes formas de aproveitar essa madeira, antes ou depois de passar pela técnica Shou Sugi Ban. Sendo bem fácil de transformá-la em uma superfície reta, a sua resistência faz com que seja bem menos possível um rompimento.

É por isso que até passarelas ficam muito seguras e muito mais belas quando feitas com a madeira Ipê. Porém, a maior sofisticação desse projeto dependerá da carbonização.

Como é feita a carbonização pela técnica Shou Sugi Ban

A técnica para dar efeito carbonizado na madeira evoluiu bastante nesses três séculos e, hoje em dia, os profissionais fazem uso de um maçarico. Com a temperatura controlada, eles aplicam o fogo diretamente sobre a madeira pelo tempo suficiente para que ela fique carbonizada e, principalmente, para que ela se torne mais durável e sofisticada.

Contudo, é claro que não era assim que os pescadores japoneses carbonizavam as madeiras. Na realidade, eles usavam fogueiras em vez de equipamentos mais sofisticados, como o maçarico.

Mesmo sem grande tecnologia, os pescadores japoneses sabiam exatamente o tempo pelo qual deviam carbonizar a madeira. Afinal, era importante que ela não ficasse queimada a ponto de estragar e se tornar apenas fuligem.

Para não errar na carbonização da madeira, esses pescadores ensinavam os mais novos a reconhecer a temperatura e as características da maneira devidamente carbonizada.

Nunca se deve fazer a técnica Shou Sugi Ban por conta própria

A carbonização de qualquer madeira é um trabalho que só pode ser feito por profissionais; dessa forma, não se deve pegar um pedaço de Cumaru ou Ipê e simplesmente aplicar maçarico sobre ele e muito menos usar fogueiras e outras fontes de fogo para queimá-la.

Esse tipo de tática não deixará a madeira carbonizada da forma correta: na realidade, o que acontecerá é que a Cumaru ou a Ipê será danificada e, no final, não se conseguirá o efeito preto fosco e nem a durabilidade esperada.

Portanto, é preciso reforçar: a madeira carbonizada com a técnica Shou Sugi Ban só é obtida pelo manuseio de um especialista. Essas pessoas têm conhecimento suficiente para saber o momento certo de parar de queimar, qual é a temperatura exata do fogo e como cortar a madeira de forma que a sua carbonização seja perfeita.

Além disso, quem tenta obter sozinho a madeira carbonizada pode se ferir gravemente por causa do contato com o fogo. Mesmo que se use um maçarico em vez de uma fogueira, existe o perigo de queimaduras de terceiro grau, além de se desperdiçar a madeira Cumaru e Ipê no processo, que são muito valorizadas.

Eucalipto e Pinus – Essas madeiras tão populares podem ser carbonizadas usando a técnica japonesa?

A madeira Eucalipto e a madeira Pinus são muito populares no Brasil, sendo comum encontrar portas, janelas, pavimentos e muito mais revestidos com elas. Entretanto, quem procura pela madeira carbonizada costuma ter a seguinte dúvida: a Eucalipto e a Pinus servem para essa finalidade?

Na realidade, nenhum desses tipos de madeira serve para a carbonização e a principal razão é que elas, ao seu natural, não são resistentes aos fenômenos climáticos. É por isso que um deck de piscina não pode ser feito com madeira Pinus, por exemplo: com a grande quantidade de água nessa área, certamente se desenvolverão fundos nessa madeira.

Da mesma forma, o revestimento externo não deve ser feito com madeira Eucalipto: em poucos anos, haveria diversos danos na estrutura, fazendo com que o imóvel se desvalorizasse e, mais que isso, com que aparecessem problemas estruturais.

Considerando isso, é muito importante questionar a empresa que oferece a madeira carbonizada: ela deve especificar qual é a madeira que passou pela técnica Shou Sugi Ban.

Caso a madeira utilizada tenha sido a Eucalipto ou Pinus, não se deve compra-la e muito menos permitir que o arquiteto a utilize no projeto. Quem tem um arquiteto já contratado pode levá-lo para escolher as madeiras, uma vez que ele terá capacidade de perceber se a madeira carbonizada foi feita com Eucalipto ou com Pinus.

Como se faz a limpeza da madeira carbonizada

Depois de falar de todo o luxo que a técnica Shou Sugi Ban oferece a qualquer projeto e de toda a durabilidade da madeira carbonizada, existe outro motivo para ela ser excelente em qualquer cômodo: a simplicidade para a sua limpeza.

Se for um deck ou um assoalho, o primeiro passo será usar uma vassoura macia para retirar as sujeiras mais visíveis. Depois, uma solução com água fria ou morna e um pouco de sabão já basta para que toda a superfície de madeira carbonizada seja limpa.

Se houver muita gordura, é possível usar a vassoura macia para esfregar um pouco da água com sabão, mas é necessário ter cuidado: qualquer superfície de madeira desse tipo pode ser riscada caso se usem escovas de limpeza ou vassouras de fios muito duros, como a piaçava.

No caso de a madeira carbonizada ser usada para revestimentos internos ou para móveis, a mistura de água com sabão também serve e recomenda-se evitar os produtos químicos muito mais agressivos.

Em lojas especializadas em madeira, pode-se encontrar produtos de higienização especialmente criados para madeiras que passaram pela técnica Shou Sugi Ban.