A técnica japonesa shou sugi ban

Yakisugi ou Shou sugi ban é uma técnica criada no Japão de 300 anos que transforma madeira queimada em móveis e elementos arquitetônicos incríveis que tem ganhado grande espaço em mostras de decoração no Brasil, proporcionando um belo equilíbrio entre a tradição e a modernidade. Ele possui mais de trezentos anos e trata-se do um método usado nas madeiras que são usadas para construir as tradicionais vilas de casas de pescadores da ilha de Naoshima. O objetivo era tentar combater os possíveis danos causados pelas mudanças drásticas no clima e qualquer agressão natural nas construções causadas pelo mar. Nessa época, o processo era feito por meio da queima da camada externa da madeira com o uso de fogueiras. Mas, atualmente, essa técnica é realizada com a carbonização de tábuas com o auxílio de um maçarico que queima só as primeiras camadas, permitindo que as fibras externas da madeira possam reagir. Em seguida ela é lavada para retirar os resíduos, e depois de seca, é aplicado um óleo que proporciona uma tonalidade de um brilho bem sutil, ajudando a deixá-la a madeira imune ao ataque de cupins, fungos e agressões naturais, por várias décadas.

Ao passar pela técnica, a madeira fica com um novo tipo de acabamento de aspecto escuro, porém, também, de uma forma mais natural, com destaque para as fissuras e veios característicos das madeiras utilizadas, sendo que o mais comum é usar o cedro japonês.

Essa é uma boa representação da cultura japonesa em termos de design, arquitetura, moda, em uma viagem que remete ao passado, mas trazendo para o presente, de uma forma mais harmônica. É uma transformação estética e ao mesmo tempo densa e inovadora.

O processo antes era utilizado só em projetos de construções mais populares, mas foi ganhando maior notoriedade à técnica, de modo que as tábuas vedadas e tratadas começaram a fazer parte de fachadas de uma forma singular.

No Japão, a técnica shou sugi ban foi caindo em desuso, devido ao desenvolvimento de outros materiais para aplicação na construção, como, por exemplo, polímeros, pedras e alumínio.

Transformações tecnológicas    

Nos últimos tempos, a tecnologia japonesa começou a se espalhar por todo o mundo, e, junto com ela, o descobrimento de novas técnicas e o resgate de tradições.

Nesse contexto, a carbonização da madeira vem sendo cada vez mais explorada na arquitetura, com a apropriação de outros diferentes materialidades e técnicas construtivas de grande destaque, como essa reinvenção do processo de carbonização para a madeira das fachadas.

O shou sugi ban ajuda a destacar a beleza que existe na própria da natureza. Esse acabamento tem estado cada vez em mais evidência dentro de projetos residenciais devido à aparência única e pela resistência que o material proporciona.

Mas, não pára só na arquitetura, o shou sugi ban tem marcado presença, também, em mobiliários e objetos de design. A melhor forma de obter um resultado de maior elegância e criar uma bela imagem atemporal, é optar pelo contraste entre materiais e estilos, de forma que se crie uma equilíbrio por meio da sutileza entre peças claras e escuras, novo e o velho, entre várias outras mais.

Conforme o que é documentado, a técnica shou sugi ban pode durar por cerca de 80 a 100 anos sem ter que fazer qualquer tipo de manutenção. Para usá-la é preciso muita serenidade, dedicação e concentração. O mais importante para se ter em mente, é que o resultado é um produto belo e mais resistente, cheio de elegância devido ao seu aspecto natural, em que as imperfeições encontradas na natureza são mais valorizadas.

A carbonização da madeira veio com força para o ocidente a partir de meados dos anos 2000. Nesse período, os arquitetos e designers norte-americanos passaram a utilizá-la em muitos projetos arquitetônicos, principalmente nos ambientes exteriores, devido a maior resistência da madeira, fazendo uma substituição da madeira do cedro original. Além disso ganhou mais força com o crescimento da preocupação ambiental, onde ganhou notoriedade por ser um método mais ecológico, que preserva as madeiras atuais por um longo período de tempo, evitando um maior corte de árvores.

A carbonização

Com o método da carbonização, os japoneses começaram a usar as madeiras nativas do próprio país na construção civil. Como o território japonês é formado por várias ilhas, as residências ficam à mercê das grandes mudanças no clima, e essa técnica deixa a madeira mais protegida. Vale dizer que, o vermos yakisugi, que é o outro nome dado para ela, significa, literalmente, queima do cipreste japonês.

Processo

O processo de carbonização possui 4 etapas: a queima, a lixação, a limpeza e aplicação do óleo na madeira. A queima da madeira ocorre de forma independente das tábuas para que possam ser colocadas nas fachadas e ambientes internos, ou até, diretamente na área aplicada. Depois da queima, a madeira deve ser escovada com lixas especiais para a retirada do carbono na superfície, deixando a matiz mais evidente. Nas duas últimas etapas, a madeira já apresenta o seu tom preto e passa pela aplicação de uma camada de óleo de cedro para a impermeabilização, que vai proporcionar a maior resistência. Por fim, é realizada a aplicação de um produto selante, que vai ajudar a evitar manchas.

Para testar a técnica artesanalmente, alguns materiais básicos que podem ser usados são o maçarico, um botijão de gás, um serrote japonês, a escova de aço e uma esponja.

Ao ser queimada, a madeira pode ficar com inúmeras tonalidades, de acordo com a intensidade da chama e do local em que é feita a aplicação.

O processo de carbonização da madeira deve ser realizado por empresas ou especialistas capacitados no desenvolvimento dessa técnica de forma industrial.

Brasil

A texturização que é criada com o ajuda a valorizar as madeiras de reflorestamento. No Brasil, algumas árvores que não possuem madeira de lei, como o eucalipto, não são valorizadas. Porém podem passar por esse processo de shou sugi ban e aumentar o seu valor no mundo da construção.